Cresce a mobilização em torno do plebiscito a ser realizado em setembro
Pesquisa realizada entre os dias 19 e 22 de maio pelo Instituto GPP – Planejamento e Pesquisa, mostra que 50,3% dos brasileiros são a favor da reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, a segunda maior empresa brasileira – a primeira é a Petrobrás – vendida há dez anos, no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por R$ 3,3 bilhões, enquanto seu patrimônio à época estava avaliado em R$ 40 bilhões; hoje a companhia possui valor de mercado de R$ 100 bilhões.
A venda da Vale ficou na história por irregularidades jurídicas na transação e mais de cem ações, que denunciam o leilão como crime de lesa pátria, continuam na Justiça, o que tem feito crescer a mobilização em torno do plebiscito que deverá ser realizado em setembro próximo sobre a reestatização da companhia.
Segundo a pesquisa do GPP, 28,2% dos entrevistados são contra a a reestatização e 21,5% disseram não saber responder.
De acordo com a assessoria de imprensa do instituto, a pesquisa ouviu duas mil pessoas em 17 estados: a margem de erro máxima é de 2,2%, para cima ou para baixo dos resultados obtidos.
O Norte do Brasil é onde existe maior apoio à reeestatização: 62,5% dos entrevistados são favoráveis à retomada da empresa; no Sul, o número fica em 47,6%; no Sudeste, 49,7%; no Centro-Oeste, 37,3%; no Nordeste, 52,9%. Já os 28,2% contrários apontados pela pesquisa são 20,3% no Sul, 30,5% no Sudeste, 24,2% no Centro-Oeste, 31,1% no Nordeste e 24,6% no Norte.
A quantidade dos que não souberam responder é maior no Centro-Oeste (38,5%), ante 32,1% no Sul, 19,8% no Sudeste, 16,0% no Nordeste e 12,9% no Norte. A pesquisa apontou que o apoio à retomada da empresa é maior nas regiões metropolitanas do país (54,1%) do que nas capitais (52,5%) e interior (47,6%).
Nas capitais, 29,2% são contra a medida, número próximo aos 29,4% nas regiões metropolitanas e 27,3% no interior.
No interior, está a maior quantidade de pessoas que não souberam responder: 25,1%, ante 18,3% nas capitais e 16,5% nas regiões metropolitanas.
As informações reafirmam a avaliação crítica dos brasileiros em relação a diversos aspectos da política de privatizações empreendida no país nos últimos anos. Segundo analistas, durante as eleições gerais do país em 2006 a agenda da privatização, implantada pelo governo do PSDB, foi repudiada por maior parte da população, principalmente por causa da pouca ou nenhuma transparência em relação aos leilões.
Agora, a rejeição é reafirmada com a pesquisa sobre a Vale encomendada justamente por um dos principais agentes da política de privatizações, o DEM (Democratas), antigo PFL; o resultado deixou deputados e senadores que tomaram conhecimento dos números de queixo caído.
A pesquisa trouxe mais energia para os movimentos sociais e entidades do país que preparam para setembro deste ano a realização de plebiscito sobre a privatização.
A empresa, uma das maiores mineradoras do mundo, é grande anunciante institucional na mídia brasileira, o que provoca o silêncio dos meios de comunicação, que não divulgam nenhum debate sobre a questão, nem sequer noticiam a mobilização popular para o plebiscito.
A insatisfação das entidades e movimentos sociais com a privatização e com as irregularidades do leilão fez com que a Assembléia Popular organizasse a Campanha Nacional pela anulação do Leilão da Vale do Rio Doce, que reúne cerca de 60 entidades no Brasil.
A proposta da campanha é fazer ressurgir nas discussões públicas os problemas que marcaram a venda da Vale e mostrar ao governo, através de plebiscito popular, que a sociedade reivindica a anulação do leilão e a reestatização da companhia.
Clique e leia:
A Vale é nossa
Um crime de lesa-pátria
Wikipedia: a Vale, primórdios, atualidade e controversa privatização
A Vale no Senado (Youtube)
